Terça-feira, 11 de Março de 2008
Terça-feira, 4 de Março de 2008
Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
Esse é um comentário sarcástico do excepcional roteirista e produtor Paul Dini (que vocês devem conhecer do seriado animado do Batman, dos anos 1990), sobre o estado ridículo dos longas de animação de nossa época:
“Your primary objective as a modern animation feature storyteller is to get the audience members emotionally charged (i.e., distracted from logic gaps and not thinking too much) so they will be ready for your big finale. This usually consists of the hero defeating the villain (almost always by some initial violent action of the villain that the hero has “cleverly” used to boomerang back on the bad guy; real heroes never being allowed to slay dragons on their own these days) and the villain falling to their death from a great height, the only acceptable way for a baddie to meet their end in a cartoon (Gaston, Frollo, the bear in “The Fox & The Hound,” Scar, the poacher in “Rescuers II”, anyone notice a trend here?). If the villain can trip over the edge while trying to get in one last cowardly stab at the hero, so much the better. The demise of the bad guy puts everyone in a good mood, so the sidekicks fire up the juke box, or strike up the band, or simply break into song, and while the hero and heroine share a modest kiss, everyone rocks out over the end credits.” - Paul Dini
Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007
Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007
Não sei como diabos eu fui me esquecer de postar isso.
É o nosso primeiro teste finalizado. É quase igual ao ali de baixo, mas com pequenos ajustes de iluminação criados no After Effects o clima da cena ficou completamente diferente.
A primeira coisa que fiz foi colocar uma foto atrás da janela. O vidro gerado no 3d tem um pouco de reflexo e transparência, por isso eu tenho que colocar uma imagem no fundo para completar o cenário. Usei uma foto real de uma cidade, tratada para parecer pintura, e levemente desfocada. Esse desfocado não serve apenas para criar a ilusão de profundidade de campo provocada pelas limitações ópticas de uma câmera de cinema, mas também para criar uma "perspectiva de foco", diminuindo a atenção do espectador no fundo para que ele se concentre no personagem e na ação.
Outra coisa que fiz foi iluminar o projeto (ou a composição, ou a cena) com uma luz do próprio After Effects. A cor dessa luz é um azul claro que não foi escolhido ao acaso: foi tirado diretamente da foto da cidade usada na janela, para manter uma "coerência de cor" na cena.
(continua)
Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
Um dos maiores empecilhos à realização do nosso filme, por enquanto, é o fato de eu estar envolvido como professor-substituto-assistente em 5 disciplinas da graduação da Escola de Belas Artes, ao mesmo tempo em que sou aluno do doutorado na mesma escola. Hoje consegui terminar um trabalho para essa disciplina, e fechei o texto com um texto escrito por um poeta francês em 1927 mas que até hoje é extremamente pertinente para quem gosta e se importa com o cinema:
“(...) A noite, amiúde, só nos traz insônia, inquietude, tormentos. O cinema nos oferece suas trevas. Penetremos no drama que nos apresentam. Se os heróis não tiverem alma de carne moída, se o objeto de seu tormento for válido, entraremos naturalmente no universo onde eles se agitam. Mas se não passarem de fantoches, nossas gargalhadas soarão altas e brutais (...) constata-se que, salvo salvo nos jornais da tela e em alguns filmes alemães, jamais se filma um enterro. É curioso notar que tanto o espetáculo da morte como o do amor foram banidos do cinema – e por amor entendo o amor pelo amor, com sua bestialidade e seus aspectos magníficos e selvagens. (...) Censor desconhecido, você chegou a avaliar bem o sentido dessas derradeiras cenas, ou seriam de aço sua alma e seu coração? (...) Deixem-nos com nossas desejáveis heroínas, deixem-nos com nossos heróis. Nosso mundo é desprezível demais para que nosso sonho seja irmão da realidade (...) Precisamos de amores e amantes à altura das lendas inventadas por nossos espíritos.”
Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
menininhas....
Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
A equipe inteira está trabalhando duro na primeira seqüência do filme. O primeiro plano a ficar "pronto" foi o 01-04 - aqui está o teste dele, com som-guia, desenhos vetorizados e coloridos, e cenário pronto. Só faltou mexer na correção de cor, mas vou deixar isso para depois. Só de ver o desenho colorido se movendo sobre o cenário já deu para ver que nosso plano maluco está funcionando!
Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007
As neves do Kilimanjaro

Faltam quatro meses e meio pra entregar o filme, ainda não tem nenhuma seqüência pronta, o talão de cheques acabou, a produtora está viajando, ainda faltam duzentos mil polígonos de cenário pra modelar, não tem nem um segundo de som gravado, não sei quem vão ser os atores... e eu acordo com uma gripe cavalar, daquelas que transformam seu sangue em água com gás e parece que sua pele virou argila.
Estou me lamentando assim porque me passaram o link do blog do Fernando Meirelles onde ele conta os bastidores do novo filme dele. Os posts são interessantes, mas os centenas de comentários de adolescentes dizendo que cinema é linduuuu e que adorariam ser cineastas e fazer escola de cinema me deixaram muito entediado.
O engraçado do blog é que ele reclama de umas coisas muito prosaicas. Esse pessoal do live action é folgado mesmo. Recebem milhões de dólares pra fazer o filme, trabalham com uma equipe de centenas de pessoas, passam o dia ao ar livre andando de lá pra cá, com marmitex e tudo mais, e ainda reclamam da vida.
Tem um post por exemplo onde ele reclama que a filmagem atrasou por causa de uma chuva. Caramba. Tem dias que tudo que eu queria era uma chuva na cara. Depois de passar 3 dias modelando um banheiro, por exemplo. A pele fica meio verde, as articulações começam a ranger, os músculos vão sendo dissolvidos pra virar energia pra manter seu metabolismo basal, e você lá calculando quanto vai ser o release do turbo smooth do mesh da torneirinha do bidê.
E aí você confere no storyboard e descobre que o bidê não vai aparecer no filme.
Nessas horas dá vontade de matar o primeiro que passar pela frente. Mas quem? Não tem ninguém. Você está sozinho na sala da sua casa, são 4 da manhã. Suas únicas companhias são um notebook quente e o vento frio da madrugada.
Eu acho que meu próximo filme vai ser um documentário. Filmado nas savanas da África. Nas neves do Kilimanjaro. Sol, animais selvagens, sangue, carne crua, plantas venenosas. Aventura, ação, natureza, coisas reais! Mas é óbvio que no terceiro dia eu já ia estar morrendo de saudade de animação.
Outro dia me entrevistaram para um programa de TV. Perguntaram por que eu fazia animação. Fiquei rindo sozinho, de nervoso. Não sei. Não dá pra explicar, assim, de cara. Voltem quando eu estiver no leito de morte. Talvez até lá eu tenha entendido.





